RIO DE JANEIRO (lunettes magiques, oh lalalala) – Ele é cego, gordo, preto, tem 61 anos, energia e amor pra muito menino e velhinho ficar com inveja. Isso é só um pouco do que Stevie Wonder trouxe ao palco do “Rock” in Rio na última quinta-feira, 29 de novembro.
Dia que ficou na mente, coração, fígado e sangue de quem gosta deste negócio doido chamado música. Um cara que faz sua conexão com o mundo, principalmente, pelos ouvidos e pelas cordas vocais tem muito a ensinar dessa arte pra muita Ke$ha, professores e panacas como eu e você nesta vida.
Quem estava aberto a essa viagem com certeza aproveitou a 1h55min52s até a última nota, mesmo com os 20 minutos de atraso, os problemas com microfone no começo do show e a dificuldade de acompanhar o mestre em seus pedidos. Afinal, tinha gente (eu e uns quatro doidões do bonde sem freio SP-RJ) que tava ali há 10 horas soltando as coisas, teve gente que veio fazer bate-e-volta de Florianópolis pra ver Jamiroquai e teve gente que nem sabe pra que veio. Coisas que muito crítico da janelinha da área vip da zona sul da “Cidade do Rock” não vê não.
Começar com Marvin Gaye já descendo até o chão é pra poucos, passar por Michael Jackson é demais, ver e ouvir Jobim, Antonio Carlos e Jocafi na voz de Stevie Wonder não é propaganda de cartão de crédito. É a vida como ela é. Imperdível.
A primeira metade do show foi mais devagar e com menos hits. Ele foi numa crescente até o ápice de seus sucessos de abalar os corações mais duros. “My Cherie Amour” e “Signed, Sealed Delivery” foram o ecstasy para alguns. Uns já piraram em “Visions” logo no começo mais lento, tem aqueles que empalharam em “Overjoyed” só piano e voz. Foi muito romance jogado no ar. E claro que “Superstition” ao lado da cara de menina-mulher-sapeca-arrasa-palco Janelle Monáe foi um presente. Tesouro. Muito tetê.
Claro que o show foi irregular. Qualquer pessoa in love, seja pelo público, seja por quem for, por o que for, é levada a fazê-lo. Deve ser impossível não querer aproveitar ao máximo a voz de 100 mil pessoas ao seu lado e prontas pra conversar com você o tempo todo. Ele se perdeu. Ele fez os músicos se perderem, ele fez a filha se perder em “Garota de Ipanema”. Fez me perder no texto. Não seguiu script. Criou ao compasso do seu coração e sorrisos. Nos deu um dia de Estive Wonder. Obrigado por ter vindo.
SETLIST DA ENCRENCA
“How Sweet It Is (To Be Loved By You)” (cover de Marvin Gaye)
“My Eyes Don’t Cry”
“Master Blaster (Jammin’)”
“The Way You Make Me Feel” (cover de Michael Jackson)
“Higher Ground”
“Visions”
“Living for the City”
“Don’t You Worry ‘Bout a Thing”
“Garota de Ipanema”
“Você Abusou”
“Send One Your Love”
“Overjoyed”
“My Cherie Amour”
“Signed, Sealed, Delivered, I’m Yours”
“Sir Duke”
“I Wish”
“Isn’t She Lovely”
“You Are the Sunshine of My Life”
“I Just Called To Say I Love You”
“Superstition”
“As”
“Another Star”
PS: Claro que não ia reclamar de ouvir “Lately”, “Part Time Lover” e mais tantas outras no bis solitário de “Another Star”. Mas, isso sim deve ter sido ensaiado. Pra ficar aquele gostinho de quero mais. Mais um baile nos meninos. Pra ver o show completo, enquanto o YouTube e o olho grande deixar, aperte o verde.





