SÃO PAULO – “Tropa de Elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você.”É… o filme realmente mexe com você, mas achei que sairia mais balançado da cadeira do cinema. Deve ser por que já estava quase sabendo do filme inteiro sem nem tocar em uma cópia pirata ou entrar em uma fila de Cinemark. Ou por que já tinha visto umas três entrevistas com o diretor José Padilha. Ou por que já tinha lido alguns três artigos sobre o tão falado.
Fascista? Contra os universitários maconheiros? De direita? Com certa lucidez, nenhum desses rótulos se aplica ao filme. Como o próprio Padilha cansou de falar por ai, um filme que tenta retratar o que se passava dentro do Bope, esquadrão de elite da PM do Rio de Janeiro, em 1997. A idéia do diretor de “Ônibus 174” (sempre confundo com 154 não sei por que) era que fosse um documentário, mas é claro que ninguém topou a parada.
O filme aborda idéias de extrema direita porque elas existem na polícia e, o mais triste, em boa parte da sociedade também. A defesa da limpeza moral e ética, se é que ela é atingível, com o uso da tortura, de assassinatos e experiências inumanas são apenas algumas das bandeiras levantadas por tais grupos. Medo que essas idéias dão ao ouvir risadas de parte da platéia em cenas de tortura ou de completa desumanização. Quando mortos em sacos são tratados com lixo ou quando a tortura é mostrada em sua crueza.
Estava com uma expectativa grande para ver o tão falado. Confesso que esperava ser mais apavorado. Não sei se é a violência que já me atordoa ou por que as cenas de “Cidade de Deus” e de “Notícias de uma guerra não declarada” já haviam feito estrago em meus sentidos. Claro que não acho “Tropa de Elite” uma flor que se cheire.
O filme representa bem o que se propôs. Levantou mais uma vez a discussão sobre violência, tráfico de drogas, descriminalização das drogas, tortura e desumanização. E, infelizmente, aflorou alguns sentimentos de identificação por parte do público. Capitão Nascimento não é e nunca será meu herói, mas na cabeça de alguns ele já está com a roupa preta e a caveira na mão. Os muitos Andrés Matias e Netos por ai estão prontos para assumir o papel do capitão.
É isso ae!! Por isso que meu único herói é o Ror-re Rafael.
Só ele para deferir declarações clássicas como essas:
“Sero siete, passa-me la doce!”
“Platón, tu és un fanfarrón”
“Pedis pra sair, Maura Véras. Pedis pra sair…”