SÃO PAULO (essa hora a lente já não funciona direito) – O dia é de comemoração. Não falo da condenação de Daniel Dantas a 10 anos de prisão por corrupção ativa, mas de algo que tem mais a ver com o fundo das senzalas. Que ele nasceu lá na Bahia e foi criado no Rio, todos sabem. Já menino colocou seus pés no barro de Minas e no asfalto paulistano. Sua cara é de Brasil.
Dizem que hoje é seu dia por ser a data de uma viagem com Ary ao solo baiano. Outros, por ser a data de um recado pelo telefone. Não podia ser diferente. A dúvida e a contradição estão em suas veias, porque ele é a tristeza que balança. Tem muita gente que não consegue ficar parado em suas festas. Prova de muita saúde.
Mesmo assim, teve gente que esqueceu dele hoje. Aqueles que dizem estar atentos ao que tem de mais importante por ai para mostrar a todos, mas só enchergam o próprio umbigo. Fazem notícias de si mesmos. Sei de muitos que querem saber mais sobre o tal. Suas histórias de amor e ódio, de alegria e lágrimas, de traição e fidelidade.
Isso deve ser choro de menino novo. Ele não deve estar nem aí. Deve estar explodindo nas gargantas à luz fraca, escorrendo nas lágrimas sorridentes, se enrolando nas pernas bambas. Ele não chegou agora nesse terreiro. Está acostumado e segue vivo no coração da gente.
Felicidades, seu Samba.