“Clouds roll by…Low light”
Jeff Ament
SÃO PAULO (metade na escada, metade na cadeira) – Fim, começo, morre, nasce, envelhece, rejuvenesce, parte, chega, esquece, lembra, e o meio? O que tem entre tudo isso? É no meio de acontecimentos extraordinários como esses, como a Primeira Guerra Mundial, o furacão Katrina, a Segunda Guerra Mundial e até os Beatles (por que não?) que se passa “O Curioso Caso de Banjamin Button”.
Lendo a sinópse do filme já dá pra perceber de cara que não se trata de mais uma histórinha romântica de Hollywood. Não é apenas um filme sobre amor impossível para fazer alguns corações mais moles soltarem suas lágrimas. É um causo de algo extraordinário que se utiliza de uma narrativa fantástica para registrar uma coisa comumente fantástica, seja ela para os livros de história de colégio ou para diários pessoais.
Uma estória sobre alguém que nasce fisicamente velho e vai rejuvenescendo com o passar do tempo já causa uma certa curiosidade. Não, o longa do diretor David Fincher, baseado no conto homônimo de F. Scott Fitzgerald, não tem efeitos especiais como os de Star Wars. Claro que não é simples representar um bebê com cara de que acabou de morrer ao nascer, de refazer batalhas das guerras mundiais, de envelhecer e rejuvenescer Brad Pitt e Cate Blanchett, ou até de deixá-los feios.
Que isso é curioso, é claro que é, mas o que tem no meio disso é o que parece interessar aos autores. É com a mudança da ordem biológica de nascer e morrer que eles chamam atenção para alguma coisa que está no meio disso.
Que o tempo é o senhor dela, não é de hoje que dizem isso. Às vezes, é preciso parar um pouco o relógio, inverter a sua ordem, esquecê-lo em algum canto, para sentir o que há de fantástico nela.
Sempre tem gente que sai da sala dizendo: “caramba, parece que o filme tem cinco horas”. Como também tem quem nem vi as duas horas e quarenta e seis minutos passarem. Ou melhor, viram ela passar de uma outra maneira. Um pouco mais lenta às vezes. Um tanto mais triste em outras. Com muita emoção em todas.
Pois, tem gente que nasce para ser artista, tem gente que nasce para fazer botões, tem gente que nasce para ser bailarina, tem gente que nasce para recitar Shakespeare, tem gente que nasce para fazer música, tem gente que nasce para ser mãe, e todos nascem para chorar. É só uma questão de tempo. Sempre ele. FIM