SÃO PAULO (cansado da peleja e de safadeza) – Pra variar aquele ritmo lento e sempre atrasado. Coisas já explicadas no perfil deste lugar. Acontece. Pode-se dizer que é parte do movimento sloooooooooooooooooooooooooooowww bloguing. Enfim, a memória da gente é uma coisa doida. Quando a gente menos espera, ela joga coisas na nossa cara como se fossem hoje. Pois foi assim que, perdido em um lugar desses em que muitos acabam com a cara cheia de cachaça, que os acordes de Campay Segundo, também conhecido como Chan Chan, fizeram volver uma dessas lembranças da vida.
Buena Vista Social Club não é novidade pra ninguém. Mas é daquelas coisas que marcam a gente como o cheiro de dama da noite nas pedaladas da infância perto do mar. E foi assim que as imagens de uma noite tranquila entre amigos em uma cidadezinha, também no litoral, invadiram o córtex sem serem convidadas. Ibrahim Ferrer já não estava entre nós, enquanto Omara Portuondo lembrava seus sucessos no palco instalado em um teatro de arena aberto às estrelas. Mulher daquelas que encantam com delicadeza e força sem violência ou arrogância.
Claro que a banda não era aquela formação do filme. Não sou fã de franchisings na música. Aquelas coisas que fazem sucesso e depois dão origem a 457 formações com o mesmo nome. Mas aquela que estava no palco de Golfe-Juan era coisa nossa. O Guajiro Mirabal? É coisa nossa. E o Manuel Galbán? É coisa nossa. E o Jesús ‘Aguaje’ Ramos? É coisa nossa. E o Barbarito Torres? Tudo coisa nossa. Digo, dos cubanos, mas nossa também depois que entram na nossa vida sem precisar de convite.
Ver esses cabras soltando as coisas que soltam de seus intrumentos com aquela humildade dos seguros e originais é foda. Mas, como toda lembrança, tudo isso se perde na mente do mesmo jeito que veio. Sem pedir licença nem se despedir.
PS: Agora bateu uma dúvida aqui. Por que a gente não vê ou ouve tanto as músicas dos nossos vizinhos aqui na terrinha? Seria algo do tipo: tão perto dos EUA e tão longe dos deuses? Tá bom,exagerei na parte das divindades agora. Mas a dúvida persiste. Lembro de não muito longe, ouvir “Quizás, Quizás, Quizás” na vitrola de um tio. Ouvi outro dia com Ibrahim e Omara, Coisa nossa também. Vale a pena.
