SÃO PAULO (cheiro de cama quente é foda) – A memória é traiçoeira, mas lá vai. Parecia já tarde da noite, ou melhor, um fim de tarde. Não, Não. Era começo de noite mesmo. Futebol entre os amigos como sempre vem a calhar e alegra os corações. Dessa vez tinha gente nova no pedaço. O cara já tinha sido profissional, estava se despedindo de todos. Soltou alguns passes precisos e logo teve que deixar o gramado. A peleja tava boa, mas teve que ser interrompida, pois o Chico havia chegado. Corta pro posto de combustíveis
A roda já tava formada. Roda grande, não gigante como de costume. Feita por amigos dele e do outro no violão. Os primeiros acordes começaram. Não tinham cheiros de gasolina ou álcool no ar. A coisa era inodora. Nããão! Não a música, que tava ótima por sinal. Não sabia direito o que tocavam, mas seguia hipnotizado. Não conseguia tirar os olhos das mãos dançando pelos braços dos violões. Coisa de profissional. Vidrado, tentava tirar proveito de cada movimento. A juventude cada vez chegava mais perto. O clima foi esquentando. Corta pra perto da bomba.
Chico parecia querer um pouco de distância. Achei que tinha se enchido de tanta gente, tanta notícia. Nada disso. Começou a cantar um daqueles sucessos. O coro foi engrossando. Coisa de festival. Livrei-me da hipnose e também soltei o ar dos pulmões. Corta pra moça na cadeira.
Tá brincando. Ela também veio? Não é aquela moça? Isso mesmo, a tal. A Gal. Ali dando uma força pro Chico que não tem aquela voz. Isso é muito louco. Eu, os meninos, as meninas, Chico, Gal, o violeiiro, álcool, gasolina… Coisa de filme mesmo. Filme? Acorda. Abre o olho. Corta pro travesseiro.
PS: desde sempre a ideia aqui foi dar vazão a impressões. Sei das falhas de meus argumentos, mais sensitíveis que racionais. Certo, Brown? Comparar os filmes abaixo realmente não é viável. Woody é genial. Mas não me pegou. O outro é bom. Mas a velhinha é foda. Deve ser saudade da vozinha. Té.